Aquele homem falava com as árvores e com as
águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis
lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.
P.S. Escrever em Absurdez faz causa para poesia
Eu falo e escrevo Absurdez
Me sinto emancipado
Poema de Manoel de Barros
Publicado originalmente na edição nº 117 da Revista Caros Amigos, dezembro de 2006
Friday, January 05, 2007
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