" O não-querer é uma demanda?."
"o vácuo é perceptível."
"Quem coloca o dedo na ferida alheia acaba com o dedo melado de pus. Agora é tarde."
"Se o buraco é mais embaixo, não se preocupe, pra baixo todo santo ajuda."
Friday, December 01, 2006
Tuesday, November 28, 2006
Sentir
Sentir, só sentir
Só o que interessa
Não, não quero teorias
É só sentir
Permita que sinta
Experimentação me interessa
Teorizar? Cansei
Só a empiria nos une.
Critiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, uma quarto de tigela no máximo.
Só o que interessa
Não, não quero teorias
É só sentir
Permita que sinta
Experimentação me interessa
Teorizar? Cansei
Só a empiria nos une.
Critiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, uma quarto de tigela no máximo.
Irohin
OPINIÃO
22/08/2006
Remanescentes de quilombos e a invisibilidade midiática
A maior parte das comunidades quilombolas enfrenta sérios conflitos e estes, em sua grande maioria, não têm qualquer repercussão nos grandes meios de comunicação
Cristiano Celestino Dourado Borges, Antropólogo, ativista do EnegreSer/DF
Publicado originalmente em http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=108
A Constituição Federal garante às comunidades remanescentes de quilombos o direito à terra por elas ocupada. A disposição está presente no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT: Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.
Mesmo com a garantia constitucional, a regulamentação definitiva veio somente em 2003 com o advento do decreto 4.887, que em seu artigo 2º define o conceito de remanescente: Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida.
O procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, desintrusão, titulação e registro das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos é regulamentado pela Instrução Normativa n.º 20 de 2003, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA.
Segundo Rafael Sânzio, do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA) da Universidade de Brasília, o número de comunidades mapeadas é de 2.842 ( JB- 08/08/2006). Este número pode ser muito maior, visto que, a cada dia, aumenta o número de comunidades que requerem o seu reconhecimento junto à Fundação Cultural Palmares.
A maior parte das comunidades quilombolas enfrenta sérios conflitos e estes, em sua grande maioria, não têm qualquer repercussão nos grandes meios de comunicação. Tomemos por exemplo três destas comunidades. A primeira delas, a comunidade da Ilha da Marambaia, no município de Mangaratiba, estado do Rio de Janeiro.
A comunidade de Marambaia é formada por 161 famílias. As terras ocupadas há mais de um século e reivindicadas por estas famílias são objeto de disputa com a Marinha do Brasil, que mantém na Ilha, desde o início da década de 1970, um centro de treinamento.
Desde a instalação do Centro, a comunidade tem seus direitos violentados, como ir e vir, educação e transporte.
O relatório técnico de identificação da comunidade produzido pelo INCRA em parceria com a organização não-governamental Koinonia, foi publicado no dia 14 de agosto no diário oficial e “despublicado” no dia 15, por ordem da Casa Civil, (Ag. Carta Maior,18/08/2006) que teria agido sob a pressão da Marinha e assim emperrando o processo de titulação das terras.
Outro caso paradigmático do desrespeito às comunidades quilombolas é o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Este centro da Aeronáutica está localizado dentro da área secularmente ocupada pelas comunidades quilombolas, sendo que estas comunidades, além de terem suas terras invadidas, vêm sofrendo com a ação da Aeronáutica dentro de suas terras.
As terras de Alcântara foram identificadas como sendo de remanescentes de quilombos por meio de laudo antropológico, produzido pelo professor Alfredo Wagner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O terceiro caso exemplar de descaso com as comunidades remanescentes é a situação enfrentada pelos quilombolas da região conhecida como Sapê do Norte, no norte do Espírito Santo. Estas comunidades ocupam esta área desde o século XIX e, a partir da década de 70, tiveram suas terras ocupadas, em sua grande maioria de maneira irregular, principalmente pela empresa trasnacional Aracruz Celulose S.A.
Além de ocupar as terras da comunidade, poluir as terras e rios utilizados para subsistência, as empresas têm agido no sentido de intimidar os quilombolas e para isso contam com o apoio de empresas particulares de segurança. Parte do território de Sapê do Norte já foi identificada como sendo de remanescentes por meio de laudos realizados pelo INCRA em parceria como a Universidade Federal do Espírito Santo.
As arbitrariedades, esboçadas de maneira breve e superficial neste pequeno texto, constitui a rotina da maioria das comunidades de remanescentes de quilombos. Estes desrespeitos não têm a atenção devida por parte dos meios de comunicação. Em muitos dos casos, os agressores são grandes anunciantes e muitos meios de comunicação não publicam coisas que desagradem seus financiadores.
Ressaltamos, no entanto a existência de honrosas exceções. Para aqueles que se interessarem pelo tema aqui discutido, recomendo os seguintes endereços eletrônicos http://www.cedefes.org.br/, www.koinonia.org.br/oq e http://www.seculodiario.com.br/ .
Para quem se interessar pela parte jurídica da questão aqui tratada, recomendo, como forma de introdução, o artigo: "O direito de propriedade das terras ocupadas pelas comunidades descendentes de quilombos", de Alcides Moreira da Gama, que pode ser encontrado no endereço http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7396 .
Estou convencido que estes atentados contra direitos elementares destas comunidades deveriam constituir pautas constantes para jornais e emissoras de TV. Então é isto: Uma sugestão de pauta.
22/08/2006
Remanescentes de quilombos e a invisibilidade midiática
A maior parte das comunidades quilombolas enfrenta sérios conflitos e estes, em sua grande maioria, não têm qualquer repercussão nos grandes meios de comunicação
Cristiano Celestino Dourado Borges, Antropólogo, ativista do EnegreSer/DF
Publicado originalmente em http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=108
A Constituição Federal garante às comunidades remanescentes de quilombos o direito à terra por elas ocupada. A disposição está presente no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT: Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.
Mesmo com a garantia constitucional, a regulamentação definitiva veio somente em 2003 com o advento do decreto 4.887, que em seu artigo 2º define o conceito de remanescente: Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida.
O procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, desintrusão, titulação e registro das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos é regulamentado pela Instrução Normativa n.º 20 de 2003, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA.
Segundo Rafael Sânzio, do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA) da Universidade de Brasília, o número de comunidades mapeadas é de 2.842 ( JB- 08/08/2006). Este número pode ser muito maior, visto que, a cada dia, aumenta o número de comunidades que requerem o seu reconhecimento junto à Fundação Cultural Palmares.
A maior parte das comunidades quilombolas enfrenta sérios conflitos e estes, em sua grande maioria, não têm qualquer repercussão nos grandes meios de comunicação. Tomemos por exemplo três destas comunidades. A primeira delas, a comunidade da Ilha da Marambaia, no município de Mangaratiba, estado do Rio de Janeiro.
A comunidade de Marambaia é formada por 161 famílias. As terras ocupadas há mais de um século e reivindicadas por estas famílias são objeto de disputa com a Marinha do Brasil, que mantém na Ilha, desde o início da década de 1970, um centro de treinamento.
Desde a instalação do Centro, a comunidade tem seus direitos violentados, como ir e vir, educação e transporte.
O relatório técnico de identificação da comunidade produzido pelo INCRA em parceria com a organização não-governamental Koinonia, foi publicado no dia 14 de agosto no diário oficial e “despublicado” no dia 15, por ordem da Casa Civil, (Ag. Carta Maior,18/08/2006) que teria agido sob a pressão da Marinha e assim emperrando o processo de titulação das terras.
Outro caso paradigmático do desrespeito às comunidades quilombolas é o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Este centro da Aeronáutica está localizado dentro da área secularmente ocupada pelas comunidades quilombolas, sendo que estas comunidades, além de terem suas terras invadidas, vêm sofrendo com a ação da Aeronáutica dentro de suas terras.
As terras de Alcântara foram identificadas como sendo de remanescentes de quilombos por meio de laudo antropológico, produzido pelo professor Alfredo Wagner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O terceiro caso exemplar de descaso com as comunidades remanescentes é a situação enfrentada pelos quilombolas da região conhecida como Sapê do Norte, no norte do Espírito Santo. Estas comunidades ocupam esta área desde o século XIX e, a partir da década de 70, tiveram suas terras ocupadas, em sua grande maioria de maneira irregular, principalmente pela empresa trasnacional Aracruz Celulose S.A.
Além de ocupar as terras da comunidade, poluir as terras e rios utilizados para subsistência, as empresas têm agido no sentido de intimidar os quilombolas e para isso contam com o apoio de empresas particulares de segurança. Parte do território de Sapê do Norte já foi identificada como sendo de remanescentes por meio de laudos realizados pelo INCRA em parceria como a Universidade Federal do Espírito Santo.
As arbitrariedades, esboçadas de maneira breve e superficial neste pequeno texto, constitui a rotina da maioria das comunidades de remanescentes de quilombos. Estes desrespeitos não têm a atenção devida por parte dos meios de comunicação. Em muitos dos casos, os agressores são grandes anunciantes e muitos meios de comunicação não publicam coisas que desagradem seus financiadores.
Ressaltamos, no entanto a existência de honrosas exceções. Para aqueles que se interessarem pelo tema aqui discutido, recomendo os seguintes endereços eletrônicos http://www.cedefes.org.br/, www.koinonia.org.br/oq e http://www.seculodiario.com.br/ .
Para quem se interessar pela parte jurídica da questão aqui tratada, recomendo, como forma de introdução, o artigo: "O direito de propriedade das terras ocupadas pelas comunidades descendentes de quilombos", de Alcides Moreira da Gama, que pode ser encontrado no endereço http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7396 .
Estou convencido que estes atentados contra direitos elementares destas comunidades deveriam constituir pautas constantes para jornais e emissoras de TV. Então é isto: Uma sugestão de pauta.
SÉCULO DIÁRIO VS. ARACRUZ
Vigilância sobre os desertos verdes
Por Cristiano Celestino Dourado Borges em 26/9/2006
A região do norte do Espírito Santo conhecida como Sapê do Norte, municípios de São Mateus e Conceição da Barra, é ocupada por descendentes de negros escravizados desde o século 18 e também indígenas das nações Tupininkin e Guarani.
A partir do fim da década de 1960 a área passou a ser ocupada por grandes empresas, principalmente a Aracruz Celulose S.A. A ocupação da área quilombola se deu, na maior parte dos casos, de forma ilegal, conforme comprovado pela CPI da Aracruz da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Ao analisar como estas terras foram adquiridas por estas empresas percebeu-se que existiam fortes indícios de ilegalidade no processo.
Segundo a legislação da época, Lei Estadual 617/52, para se requerer a propriedade de terra pertencentes ao estado, o requerente deveria provar que morava na terra e que tinha sobre esta a posse. Condição que não era atendida pela Aracruz. Em muitos casos a empresa utilizava “laranjas” como mostrou a CPI.
A degradação ambiental e a violência contra as comunidades quilombolas e indígenas cometidas pela Aracruz têm sido sistematicamente denunciadas pelo jornal capixaba Século Diário. Em 2003, foram 31 reportagens, 88 em 2004, 96 em 2005 e 89 em 2006. De forma contundente e praticamente solitária os jornalistas do Século têm mostrado todo o processo de destruição. Essa violência inclui a expulsão das comunidades de suas terras, o envenenamento de mananciais, desvios de rios, destruição das fontes de alimentos e de grande parte da biodiversidade, desestruturando as comunidades tradicionais que vivem na área.
Para Simone Ferreira, geógrafa da USP que fez pesquisa nas comunidades quilombolas do Sapê do Norte, “a monocultura do eucalipto quase inviabilizou as comunidades quilombolas, pois elas não tinham mais como pescar e sequer podiam usar a madeira como lenha, pois eram impedidos pelos guardas da Aracruz Celulose”.
Em artigo sobre a violência da empresa Aracruz, o repórter Ubervalter Coimbra, do Século Diário, afirma: “Violência que se manifesta com emprego de milícia armada, com cobertura das polícias Militar e Civil, até contra os que catam restos de eucalipto, inservíveis para produção de celulose, para fazer carvão destinado a uso doméstico ou para pequenas vendas destinadas a garantir a subsistência, vez que não têm terras para produzir nem outros meios para ganhar dinheiro".
A tentativa da Aracruz de silenciar o Século Diário tem sido intensa: já são 28 processos, dos quais 25 queixas-crime. Em todos os processos a empresa conta com defesa de vários advogados, inclusive de fora do Espírito Santo. O processo nº AP 1513/024050164995 é contra os diretores do Século Diário, Stenka do Amaral Calado e Rogério Medeiros, protocolado em 29 de julho de 2005. É a Arazruz buscando calar o Século Diário por repercutir as denúncias de suas mazelas ambientais, sociais e econômicas.
Além dos dois diretores, também foram alvo de processos os repórteres Flávia Bernardes, Manaíra Medeiros e Ubervalter Coimbra. Na sentença do julgamento da repórter Manaíra Medeiros, a juíza da 3ª Vara Criminal de Vitória Maria Cristina de Souza Ferreira, lemos: “Primeiramente, é sabido que a liberdade de imprensa é um dos pilares que sustentam o Estado Democrático de Direito, tendo sido elevada a princípio constitucional pela Carta Magna vigente após longo e tenebroso período de ditadura militar (...). No caso em tela, verifica-se que a querelada (repórter) se reservou em sua matéria jornalística a descrever os fatos e a criticar a conduta da querelante (Aracruz), que, como é público e notório, por ser uma grande empresa que utiliza como matéria-prima árvores, notadamente eucaliptos, vem efetivando seu plantio em grandes extensões, gerando o que os ambientalistas chamam de deserto verde, pois naquele novo ecossistema é escassa a fauna e flora silvestre”. (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/ 03/348180.shtml)
Podemos terminar com a resposta belíssima de Século Diário à tentativa de intimidação da Aracruz: “Onde e quando for necessário os jornalistas de Século Diário vão confirmar que a Aracruz Celulose pratica mazelas sociais no Espírito Santo, atingindo violentamente populações tradicionais como os quilombolas e índios, além de pequenos proprietários rurais.”)
Ah, se todos agissem assim!
Por Cristiano Celestino Dourado Borges em 26/9/2006
A região do norte do Espírito Santo conhecida como Sapê do Norte, municípios de São Mateus e Conceição da Barra, é ocupada por descendentes de negros escravizados desde o século 18 e também indígenas das nações Tupininkin e Guarani.
A partir do fim da década de 1960 a área passou a ser ocupada por grandes empresas, principalmente a Aracruz Celulose S.A. A ocupação da área quilombola se deu, na maior parte dos casos, de forma ilegal, conforme comprovado pela CPI da Aracruz da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Ao analisar como estas terras foram adquiridas por estas empresas percebeu-se que existiam fortes indícios de ilegalidade no processo.
Segundo a legislação da época, Lei Estadual 617/52, para se requerer a propriedade de terra pertencentes ao estado, o requerente deveria provar que morava na terra e que tinha sobre esta a posse. Condição que não era atendida pela Aracruz. Em muitos casos a empresa utilizava “laranjas” como mostrou a CPI.
A degradação ambiental e a violência contra as comunidades quilombolas e indígenas cometidas pela Aracruz têm sido sistematicamente denunciadas pelo jornal capixaba Século Diário. Em 2003, foram 31 reportagens, 88 em 2004, 96 em 2005 e 89 em 2006. De forma contundente e praticamente solitária os jornalistas do Século têm mostrado todo o processo de destruição. Essa violência inclui a expulsão das comunidades de suas terras, o envenenamento de mananciais, desvios de rios, destruição das fontes de alimentos e de grande parte da biodiversidade, desestruturando as comunidades tradicionais que vivem na área.
Para Simone Ferreira, geógrafa da USP que fez pesquisa nas comunidades quilombolas do Sapê do Norte, “a monocultura do eucalipto quase inviabilizou as comunidades quilombolas, pois elas não tinham mais como pescar e sequer podiam usar a madeira como lenha, pois eram impedidos pelos guardas da Aracruz Celulose”.
Em artigo sobre a violência da empresa Aracruz, o repórter Ubervalter Coimbra, do Século Diário, afirma: “Violência que se manifesta com emprego de milícia armada, com cobertura das polícias Militar e Civil, até contra os que catam restos de eucalipto, inservíveis para produção de celulose, para fazer carvão destinado a uso doméstico ou para pequenas vendas destinadas a garantir a subsistência, vez que não têm terras para produzir nem outros meios para ganhar dinheiro".
A tentativa da Aracruz de silenciar o Século Diário tem sido intensa: já são 28 processos, dos quais 25 queixas-crime. Em todos os processos a empresa conta com defesa de vários advogados, inclusive de fora do Espírito Santo. O processo nº AP 1513/024050164995 é contra os diretores do Século Diário, Stenka do Amaral Calado e Rogério Medeiros, protocolado em 29 de julho de 2005. É a Arazruz buscando calar o Século Diário por repercutir as denúncias de suas mazelas ambientais, sociais e econômicas.
Além dos dois diretores, também foram alvo de processos os repórteres Flávia Bernardes, Manaíra Medeiros e Ubervalter Coimbra. Na sentença do julgamento da repórter Manaíra Medeiros, a juíza da 3ª Vara Criminal de Vitória Maria Cristina de Souza Ferreira, lemos: “Primeiramente, é sabido que a liberdade de imprensa é um dos pilares que sustentam o Estado Democrático de Direito, tendo sido elevada a princípio constitucional pela Carta Magna vigente após longo e tenebroso período de ditadura militar (...). No caso em tela, verifica-se que a querelada (repórter) se reservou em sua matéria jornalística a descrever os fatos e a criticar a conduta da querelante (Aracruz), que, como é público e notório, por ser uma grande empresa que utiliza como matéria-prima árvores, notadamente eucaliptos, vem efetivando seu plantio em grandes extensões, gerando o que os ambientalistas chamam de deserto verde, pois naquele novo ecossistema é escassa a fauna e flora silvestre”. (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/ 03/348180.shtml)
Podemos terminar com a resposta belíssima de Século Diário à tentativa de intimidação da Aracruz: “Onde e quando for necessário os jornalistas de Século Diário vão confirmar que a Aracruz Celulose pratica mazelas sociais no Espírito Santo, atingindo violentamente populações tradicionais como os quilombolas e índios, além de pequenos proprietários rurais.”)
Ah, se todos agissem assim!
INFÂNCIA PERDIDA
Quem não leu, deveria
Por Cristiano Celestino Dourado Borges em 28/11/2006
Publicado originalmente em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=409CID005
Refiro-me à reportagem "Infância perdida", publicada no jornal Correio Braziliense do dia 22 de novembro de 2006. A assinatura é de Erika Klingl. São 12 páginas de puro jornalismo. Sem apelações, bem-escrita, fundamentada. Impossível ficar indiferente, repito, impossível. A repórter viajou mais de 11 mil quilômetros passando por oito estados. Foi a campo para contar as histórias de crianças que tiveram suas infâncias roubadas pela exploração sexual. Além de conseguir mostrar o que pretendia, mostrou ainda a inoperância da proteção da infância, a ação de professores e diretores despreparados que contribuem para agravar o problema, quando deveriam atuar no sentido contrário, o papel da família, uma pobreza que desumaniza, levando crianças de 10 anos a venderem o único "bem" que possuem, o corpo.
Mostra ainda o papel nefasto do turismo sexual. Impressionantes os relatos da meninas de Fortaleza, que chamam seus algozes de "namorados" e sonham que estes as levarão para a Europa e serão seus maridos. Confesso que consegui chegar à terceira página sem derramar uma única lágrima. Mas depois que comecei ler a história de Iara, de 12 anos, que está grávida de seis meses de um senhor de 70, não agüentei. Iara tinha relações sexuais com este senhor na periferia de Belém e recebia 10 reais pelo "serviço". E os relatos surpreendentes, revoltantes estão por toda a reportagem, como as irmãs de Medina, no Vale do Jequitinhonha, que ficam às margens da rodovia Rio-Bahia esperando seus "clientes".
O sentimento evocado em toda a reportagem é que algo de muito podre está presente cotidianamente na rotina de crianças das várias regiões do país. Que o Estado brasileiro não reúne mecanismos minimamente eficazes de combate à exploração sexual. Que a exploração sexual é problema gravíssimo. Que não podemos e não devemos ficar indiferentes. Que temos que pensar numa escola capaz de atrair crianças, e não afugentá-las, justamente aquelas crianças que mais precisam de apoio.
Parabéns, Érika. E quem não leu, leia.
Por Cristiano Celestino Dourado Borges em 28/11/2006
Publicado originalmente em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=409CID005
Refiro-me à reportagem "Infância perdida", publicada no jornal Correio Braziliense do dia 22 de novembro de 2006. A assinatura é de Erika Klingl. São 12 páginas de puro jornalismo. Sem apelações, bem-escrita, fundamentada. Impossível ficar indiferente, repito, impossível. A repórter viajou mais de 11 mil quilômetros passando por oito estados. Foi a campo para contar as histórias de crianças que tiveram suas infâncias roubadas pela exploração sexual. Além de conseguir mostrar o que pretendia, mostrou ainda a inoperância da proteção da infância, a ação de professores e diretores despreparados que contribuem para agravar o problema, quando deveriam atuar no sentido contrário, o papel da família, uma pobreza que desumaniza, levando crianças de 10 anos a venderem o único "bem" que possuem, o corpo.
Mostra ainda o papel nefasto do turismo sexual. Impressionantes os relatos da meninas de Fortaleza, que chamam seus algozes de "namorados" e sonham que estes as levarão para a Europa e serão seus maridos. Confesso que consegui chegar à terceira página sem derramar uma única lágrima. Mas depois que comecei ler a história de Iara, de 12 anos, que está grávida de seis meses de um senhor de 70, não agüentei. Iara tinha relações sexuais com este senhor na periferia de Belém e recebia 10 reais pelo "serviço". E os relatos surpreendentes, revoltantes estão por toda a reportagem, como as irmãs de Medina, no Vale do Jequitinhonha, que ficam às margens da rodovia Rio-Bahia esperando seus "clientes".
O sentimento evocado em toda a reportagem é que algo de muito podre está presente cotidianamente na rotina de crianças das várias regiões do país. Que o Estado brasileiro não reúne mecanismos minimamente eficazes de combate à exploração sexual. Que a exploração sexual é problema gravíssimo. Que não podemos e não devemos ficar indiferentes. Que temos que pensar numa escola capaz de atrair crianças, e não afugentá-las, justamente aquelas crianças que mais precisam de apoio.
Parabéns, Érika. E quem não leu, leia.
Monday, November 27, 2006
Poema
Ele tá aqui
Pertinho, mas não vem
Ah Poema, venha
Eu preciso escrever
Este poema
É um teimoso
Eu chamo
Eu clamo
E nada
Vem somente quando quer
Ah poema,
Não obedece a ninguém
E simplesmente não vem
Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela. meia não, um quarto de tigela no máximo.
Pertinho, mas não vem
Ah Poema, venha
Eu preciso escrever
Este poema
É um teimoso
Eu chamo
Eu clamo
E nada
Vem somente quando quer
Ah poema,
Não obedece a ninguém
E simplesmente não vem
Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela. meia não, um quarto de tigela no máximo.
Incompreensão dos Mistérios
--------------------------------------------------------------------------------
Saudades de minha mãe.
Sua morte faz um ano e um fato
Essa coisa fez
eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:
que desperdício, que descuido
que burrice de Deus!
Não de ela perder a vida
mas a vida de perdê-la.
Olho pra ela e seu retrato.
Nesse dia, Deus deu uma saidinha
e o vice era fraco.
Da chegada do amor
Elisa Lucinda
Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.
Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1958, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como "Rosa, um Musical Brasileiro", sob direção de Domingos de Oliveira, e "Bukowski, Bicho Solto no Mundo", sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme "A Causa Secreta", de Sérgio Bianchi.É poetisa negra de grande valor.
Saudades de minha mãe.
Sua morte faz um ano e um fato
Essa coisa fez
eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:
que desperdício, que descuido
que burrice de Deus!
Não de ela perder a vida
mas a vida de perdê-la.
Olho pra ela e seu retrato.
Nesse dia, Deus deu uma saidinha
e o vice era fraco.
Da chegada do amor
Elisa Lucinda
Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.
Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1958, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como "Rosa, um Musical Brasileiro", sob direção de Domingos de Oliveira, e "Bukowski, Bicho Solto no Mundo", sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme "A Causa Secreta", de Sérgio Bianchi.É poetisa negra de grande valor.
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