| mercredi 28 mars 2007 Pra quem acha que so os playboys de Brasilia queimam indios...ô vergonha! Hoje, nessa madrugada, estava dormindo na Casa do Estudante na Universidade de Brasília - UnB, na casa das minhas amigas, por ter tido uma aula até às 23 horas. Acordei com um barulho assustador de extintor e gritos desesperados, além da fumaça que invadia o apartamento. Quando, eu e as meninas, abrimos a porta, encontramos a porta de um apartamento de estrangeiros (precisamente africanos) queimando, numa clara demonstração de atentado racista. Ao todo foram queimadas três portas no Bloco B da CEU-UnB e, por sorte, nenhuma vítima.A questão triste é que numa Universidade (uma das mais reconhecidas do país) tenha acontecido tal barbárie. É incrível como nos dias de hoje, quando as pessoas dizem viver num país, onde há justiça social, onde há direitos (o que na minha opinião não é bem verdade) acontecer esse terrorismo. Anterior a isso, foi escrito na parede do apartamento das meninas, junto à porta: "morram estrangeiros!" e a UnB proibiu a divulgação do fato, para não queimar sua "bela imagem". Quem constrói essa "bela imagem", caros amigos, somos nós. E essa bela imagem, que os "administradores" (entre aspas porque quem conhece a má administração sabe do que eu falo) tentam mascarar só prejudica a nós estudantes. Hoje, no mínimo, o que senti foi uma verdadeira vergonha por estar num país tão hipócrita....Aqui existe RACISMO sim! não somos uma nação democraticamente racial porcaria nenhuma!!!! Ou vocês acham que se fosse uma comunidade de brancos estrangeiros isso teria acontecido??? lógico que não!!! sei disso porque meu namorado é estrangeiro, é francês, é branco e não sofre preconceito...pelo contrário, é muito admirado!!!! Sem querer menosprezar a pátria do meu amado, longe disso...quero menosprezar sim, as idéias de que o que deve ser admirado como estrangeiro são os países capitalista do 1º mundo, como os EUA, os países da Europa...O que podemos fazer com tal ignorância, mediocridade, desrespeito com o ser humano (nem eu sei quais palavrs dizer nesse momento)????? Podemos e devemos LUTAR contra isso. Não isso que aconteceu aqui na Casa do Estudante, no dia 28/03/2007 às 4h30min, mas contra todo esse sistema de intolerância que rege a nossa sociedade!!!!!!!!!! O preconceito só gera tristeza, no mínimo... E não é só contra os negros, mas também com outros segmentos da sociedade que vivem essas situações caóticas todos os dias e não temos conhecimento. Não podemos nos enclausurar num redoma de vidro!!!! Temos que parar e PENSAR que sociedade estamos deixando aos nossos filhos, sobrinhos, netos.... Homossexuais apanham nas ruas, profissionais do sexo apanham nas ruas, negros sofrem discriminação de todas as formas possíveis, índios são queimados por filhinhos de papai (porque não é só a classe menos favorecida que comete o racismo como eu presenciei essa madrugada, os racistas vêm de todas as partes, de todas as classes) e nós, maioria ignorante (no bom sentido do termo, se é que ele possa existir), estamos aqui, vivendo nossa vidinha medíocre, sem lutar por uma sociedade mais justa e mais social. Digo isso porque a que estamos vivendo tende à decadência. É fato. Se você discorda de mim, então me diga porque acordei quase sufocada com fumaça em um atentado terrorista dentro da Universidade de Brasília???? A intolerância e o individualismo que esse sistema capitalista ideologicamente prega está acabando com o verdadeiro conceito de SOCIAL e SOCIEDADE.Nós só sentimos que a sociedade deve mudar quando presenciamos cenas terríveis como essa que presenciei. Mesmo estando num curso em que estamos sempre lidando com essas temáticas, nunca pensei que fosse tão horrível um ato de racismo. Agora, se as pessoas acham que esse momento triste deva ser esquecido, por favor delete meu e-mail. Mas se você acha que tudo ou a maioria dos meus argumentos tenham convecido a vocês, passem a frente. Mas não fique só nisso. Lute, dentro dos espaços onde você possa e tenha acesso. Essa luta não é apenas dos estrangeiros africanos que sofreram um atentado essa madrugada. Essa luta é nossa!!!! ou o nosso Planeta tende a desparecer dentro dessa intolerância contra o diferente, que é totalmente sem sentido. Não quero mais me envergonhar por ser brasileira, ao contrário. Quero me orgulhar de ter nascido em um país que recebe bem a todos aqueles que fizerem dele sua morada, seja para trabalho, para estudos, ou para o que quer que seja. Merecemos e precisamos ver nosso país verdadeiramente democrático racialmente. É o que espero de todas as pessoas que dediquei uma hora do meu dia a escrever o que mais me chocou na vida.Desculpem qualquer coisa que pareça agressiva, mas tenho motivos para estar tão indignada. Abraços, Aline Barbosa de Matos . publicado originalmente no blog www.liliemparis.blogspot.com |
Wednesday, March 28, 2007
racismo e xenofobia
CASO JOÃO HÉLIO A barbárie da agenda nacional
( publicado originalmente em www.observatoriodaimprensa.com.br
Por Cristiano Celestino Dourado Borges em 27/2/2007
A morte do João Hélio Fernandes Vieitis, de 6 anos tomou agenda nacional nos últimos dias. Revistas, jornais, redes de TV, este Observatório, incluindo o texto excelente de Muniz Sodré, deram grande destaque ao fato (ver Um grau além da violência).
Contudo, o que mais me chamou atenção na cobertura foi a entrevista de Fátima Bernardes, realizada claramente com intuito de utilizar o sofrimento dos pais do garoto com vistas a capitalizar o Ibope global, de modo que não contribuiu em nada para o aprofundamento do debate.
Valor diferenciado
Pensando em dar minha modesta contribuição para o debate, julgo que algumas questões merecem ser discutidas, já que este assunto é o tema da vez.
Uma primeira questão: será que é eticamente válido entrevistar pessoas sob forte abalo emocional? Será que este tipo de entrevista acrescenta ao debate, ou serve somente aos interesses comerciais das empresas jornalísticas?
Outra questão que acho fundamental discutir, sem relevar a barbaridade do crime cometido, é a repercussão que têm os crimes no Brasil dependendo da origem social de quem é a vítima ou de quem é o agressor. É claro que no referido crime, por suas peculiaridades, não restam dúvidas de sua "noticiabilidade". O que quero salientar é que outras crianças, de outras origens sócio-econômicas e étnicas, também são vítimas de violência e não recebem a mesma atenção dos meios de comunicação. Então, a outra pergunta: teria a vida valor diferente dependendo da origem de seu dono?
Soluções simplistas
Quero chamar atenção ainda para uma terceira questão: a ausência total de solidariedade dos acusados para com a vítima. Isto se assemelha ao que o pai da sociologia, Émile Dürkheim, chamou de anomia, que vem a ser um estado social no qual os objetivos culturais desaparecem, os indivíduos não se vêem como membros de uma única sociedade, o que em última instância pode levar ao desaparecimento da própria sociedade.
Assim, esta seria uma possível explicação para a ausência quase completa de identificação entre agressor e vítima, uma ausência de empatia quase total. Só com este postulado é possível pensar que aqueles jovens andaram sete quilômetros pelas ruas do Rio sem parar, mesmo sabendo que havia alguém preso ao carro e sendo dilacerado no caminho. Aquele garoto não era um deles. O que percebemos é uma ausência de limites.
Penso ser importante que os meios de comunicação discutam isto e nos ajudem a buscar respostas para perguntas como: Que sociedade é essa que torna possível a existência de jovens com tamanha incapacidade de se colocar no lugar do outro? Que sociedade é essa que aniquila a maior parte dos jovens do ambiente educacional e daquilo que se convencionou chamar cidadania e espera, em contrapartida, solidariedade e compreensão? Que sociedade é essa que, diante da complexidade do crime, e em particular do crime praticado por jovens, clama pela redução da maioridade penal como panacéia para resolução de todos os nossos problemas relacionados à violência?
É preciso aprofundar a discussão, deixando de lado de antemão soluções simplistas, que desconsideram toda a complexidade dos fatos ora em análise.
Monday, March 26, 2007
distante
Eu queria neste exato momento Poder escrever um poema um poema bem duro e bem sensível Que tivesse nele toda a complexidade do amigo que se foi daquilo que ficou dos amigos que se foram e daquilo que se foi dos amigos que se foram Queria poder entender toda a complexidade que há em mim dos amigos todos que um dia se passaram Se passaram e se foram Queria entender o que ficou e o que de mim se foi Esta complexidade dos todosamigosqueháemmim este todo eu formado de partedosamigos que um dia se passaram esta aglutinação do eu nos outros, dos outros em mim. Cristiano Dourado,24 é poeta de meia tigela, meia não, uma quarto de tigela no máximo. |