Friday, January 05, 2007

Um songo

Aquele homem falava com as árvores e com as
águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis
lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.

P.S. Escrever em Absurdez faz causa para poesia
Eu falo e escrevo Absurdez
Me sinto emancipado


Poema de Manoel de Barros
Publicado originalmente na edição nº 117 da Revista Caros Amigos, dezembro de 2006

Poema da noite

Ditoso seja aquele que somente



Luiz Vás de Camões




Ditoso seja aquele que somente



se queixa de amorosas esquivanças;



pois por elas não perde as esperanças



de poder n'algum tempo ser contente.



Ditoso seja quem, estando ausente,



não sente mais que a pena das lembranças;



porqu', inda que se tema de mudanças,



menos se teme a dor quando se sente.



Ditoso seja, enfim, qualquer estado



onde enganos, desprezos e isenção



trazem o coração atormentado.



Mas triste quem se sente magoado



d'erros em que não pode haver perdão,



sem ficar n'alma a mágoa do pecado.



Poeta épico, satírico, bucólico e comediógrafo português. Nasceu a 4 de fevereiro de 1524, presumivelmente em Lisboa, e faleceu a 10 de junho de 1580, na mesma cidade. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, descendia por varonia do poeta galego Vasco Oures de Camões. Até os 18 anos presume-se que haja estudado em Coimbra

Sunday, December 31, 2006

uma semana no sertão

Ah o sertão, quando cheguei, a primeira coisa que senti foi um cheiro de sertão, um cheiro que só o sertão tem, é um cheiro de flores misturado com infância, aquele cheiro impregnado dentro da gente. Foi ali na beira do São Francisco, nas redondezas de Barra de Rio Grande que comecei a sentir aquele cheiro de sertão. Só quem tem o cheiro de sertão impregnado sabe o que estou dizendo. Só quem viveu perto dos imbuzeiros, ali perto da unha-de-gato, aroeira, umburana outras plantas que só o sertanejo conhece. A viagem não foi das mais prazerosas, que estradinhas hem?
Mas, felizmente chegamos bem. O melhor do sertão é aquele povo, posso passar cinquenta anos longe e andar por meio mundo, mas gente como aquela do sertão não se encontra. E falo com verdade no coração. E quase não ficamos em casa durante toda a semana. Galinha caipira na roça, bode com feijão verde na casa de Tivi. Peru com lazanha na casa de madrinha Carmélia. Jogo de futsal na praça. E assim a semana se foi. Ainda na volta, passamos em Mucugezinho, município de Lençóis, ficamos três horas, depois seguimos pra Barreiras onde passamos a noite na casa de Bié, primo da gente. saímos de Barreiras 9 da manhã e chegamos em valparaíso às 4 da tarde ou melhor 5 porque tivemos se readaptar ao horário de verão.
Aqui estamos de volta. hoje, li o blog da liliemparis, estou torcendo por ela.