Friday, November 10, 2006

Paixão

A paixão não se define
a paixão se confunde
e faz pensar que aquele era outro
que o dia era noite
o ontem era hoje
o fugidio, eterno
que o amargo era doce
o superficial o âmago
o longe, perto
que o destino era inevitável
E todos um dia se confundiram ou se confundirão.


Cristiano Dourado 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tigela no máximo. Poema baseada no poema "Se equivocó la paloma" de Rafael Alberti.

Thursday, November 09, 2006

as cotas, os cotistas

De costa
Para as cotas
Cotista
Se revolta
Com o povo preto
Que ali o esperava
Mais ele enganado já foi convidado
Primeiro ofício
Capitão do mato
E tão solitário
Aceita o trabalho
Mais faz esse gesto hipnotizado
Pois diabo racista
A muito empacado
Só ver o cotista na forma de escravo
E embassa sua visão e sua audição
Toda percepção
Deixando ele calmo
E a compensação
Menor que o salário
E o tal diabo tão vivo e claro
Envolve o cotista
Com um questionário
Os que têm axé responde o contrário
Mais esse coitado é selecionado
Na ala dos otários

Para ser ele própio pedra no sapato
Na história de um povo guerreiro e bravo
E sendo ele usado
Convém um recado
Cuidado Cotista
Cotista Cuidado

Rafael dos Santos é poeta nas horas vagas, é companheiro pra toda correria. Quem não conhece deveria.

dildu

Vamo negada
virar massa
solidarizada
Vamo negada
banhar com sal grosso
nos livrar das amarras
das constipação
Vamo negada
rumar pra essa esplanada
por conta nossa
no espirito de Biko
cabeça em pé
junto com a ralé
na música de Bill
João Cândido
o canhão
na direção
do Congresso
évai nosso manifesto
Nosso júri
é Racionas
não falha
não somos fã de canalha
Nois,num vai sozim
tamo cum Luiza Mahin
Marcos Garvin
Malcon X
Luther King
de Cezaire
A Fanon
tão cum nois
só nego bom
Ontem
e agora
quem foi pro Orum
desceu pro Aiê
pra nos fortalecer
nos dizer
Somos Afro
Amefricanos
somos Sexta Africa
em marcha
a toda hora
na briga por
emancipar
Solano
e Lélia
nois num tem
inveja
de ninguém
nossas histórias
são épicas
da época
de entusiamo
de escutar
o griout
de meu avô
contar

Dilduentorno, Dilmar é poeta e faz poesia. Dilmar vai ser administrador. Quem não conhece deveria. Dilmar é poeta lá da barragem.

Tuesday, November 07, 2006

è cruz e sousa

Imortal atitude
Abre os olhos à Vida e fica mudo!
Oh! Basta crer indefinidamente
Para ficar iluminado tudo
De uma luz imortal e transcendente.
Crer é sentir, como secreto escudo,
A alma risonha, lúcida, vidente...
E abandonar o sujo deus cornudo,
O sátiro da Carne impenitente.
Abandonar os lânguidos rugidos,
O infinito gemido dos gemidos
Que vai no lodo a carne chafurdando.
Erguer os olhos, levantar os braços
Para o eterno Silêncio dos Espaços
E no Silêncio emudecer olhando...

quintana 2


Poema da noite


Mário Quintana
De Gramática e de Linguagem
E havia uma gramática que dizia assim:"Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta".Eu gosto das cousas. As cousas sim !...As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.Uma pedra. Um armário. Um ovo, nem sempre,Ovo pode estar choco: é inquietante...)As cousas vivem metidas com as suas cousas.E não exigem nada.Apenas que não as tirem do lugar onde estão.E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.Para quê? Não importa: João vem!E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão,Amigo ou adverso...João só será definitivoQuando esticar a canela. Morre, João...Mas o bom mesmo, são os adjetivos,Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso.Sonoro. Lento. Eu sonhoCom uma linguagem composta unicamente de adjetivosComo decerto é a linguagem das plantas e dos animais.Ainda mais: Eu sonho com um poemaCujas palavras sumarentas escorramComo a polpa de um fruto maduro em tua boca,Um poema que te mate de amorAntes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:Basta provares o seu gosto...


Mário de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.