Saturday, February 17, 2007

a corda como metáfora

Na quinta de carnaval fui ver o carnaval no circuito Barra-Ondina, já lá no final em Ondina. A corda. A corda, ela é o centro da festa. Poderíamos pensar que fosse o trio, a pipoca. Não é. É a corda. A metáfora perfeita da sociedade baiana. Sociedade hierárquica, racista. Para aqueles que não conhecem a corda, faço uma pequena descrição. Um bloco é composto por um trio elétrico, uma banda, centenas de pessoas que pagaram uma camiseta ( abadá ), geralmente um preço que a maioria dos baianos não podem pagar, os mais caros chegam a 1500 reais por três dias. Para separar aqueles que podem pagar daqueles que não podem, uma corda. Uma corda enorme circundando toda a área do trio e aqueles que podem pagar. Segurando a corda, dezenas de homens negros, dentro da área protegida pela corda, aqueles que podem pagar brincam tranquilamente, quase todos branc@s. De modo que há uma delimitação feita pela corda. Aqueles homens pretos defendendo aquele território para receber 25 reais. É uma grande encenação, uma grande representação da sociedade baiana, em especial da sociedade de Salvador. Aqueles que não podem pagar recebem a alcunha de Pipoca.