Thursday, November 23, 2006

amor

Ao meu amor

Quando se tem um amor
Tudo é mais fácil
A vida mais alegre
Quem ama
Sofre menos
Ah meu amor
Como é bom amar
Quem ama vive mais
E se não viver mais
Vive melhor
Ah meu amor
Quem ama ri mais
dança mais
Quem ama tem mais amor
Pra si e para outros
Ah meu amor...

Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tijela no máximo.
Consciência
mais nova
Ciência
mais velha
Mas,nem mais
nova
periga de esquecer
nem mais velha
de achar
que não adianta
É melhor
mais tarde
do que nunca
E quando
levantares
e ver
que na sua garganta
há muitos gritares.

Dilduentorno, axes,mermo qu'eu sinta uma deixa que não me apaixone.


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Guerra particular

Era uma guerra particular
Meninos pobres quase todos
muito pretos
Era uma guerra particular
Vida vale pouco, quase nada
Todos querem fazer parte
E é comprar tênis da China
Roupa dos bacanas
Era uma guerra particular
Estado policial
Serviços, saúde, lazer
Ninguém sabe, ninguém viu
Polícia sempre por aí
pronta, bater, matar ou morrer.

meninas

Tinham 10,11 anos
Corpos de meninas, vozes de meninas
Eram corpos, vendidos, 10 reais
pornoturistas alemães, italianos, portugueses...
Doentes mentais destroem infância e sonhos
Sonham casar, ir para Europa]
Definitivamente não irão...

Vida

Minhas alegrias não cabem no poema
Minha dor, não cabe no poema
Não cabem no poema minhas angústias
Minhas dúvidas, minhas tristezas
Tampouco cabem no poema minhas inquietações
Vitórias e derrotas.
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Tuesday, November 21, 2006

Primazia ou um poeminha pru 20 de novembro

É pobre porque é negro
É negra porque é pobre
E vem o democrata e tudo resolve:
Deixa disso, o problema é social
Este negócio de raça é coisa dos isteites da américa!
Aqui todos somos irmãos!
E meio disconfiado, algum antinacionalista meio que querendo semear a discórdia, pergunta:
E esse negócio de ser chamado de feio,
de os deputado ser "tudo" branco
E diplomatas negros onde estão?
E os mocinhos das novelas do plim- plim
serem tudo branco
E cabelo ruim é cabelo crespo
E a loucura racial
E racismo
E a professora da pré-escola
que um dia disse que negro nem fede mais
agora tem uns desodorantes ótimos
E as negras que ganham menos que as brancas
E a demonização das religiões dos orixás
Ah, disse o democrata, isso é tudo invenção
dos antinacionalistas
Estes ainda levam a harmonia deste país pelo ralo.
E antinacionalista não satisfeito retruca:
esta harmonia é feita à custa do sangue de nossos quilombos e senzalas
Das revoltas, da chibata dos búzios, dos malês...
Do confinamento de nosso povo nos guetos.
Estes antinacionalistas ainda botam este país a perder.

Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tigela no máximo. É aprendiz de poeta da escola de Dilmar, Dilduentorno.

menino

Era menino
sentia como que tivesse perdido no deserto
assim como quem tivesse visto bicho mal assombrado
como um menino
sentia como que tivesse medo do escuro.
Sentia como menino com medo de crescer
Sentia como só um menino sente.

Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tigela no máximo.

Infância

Quando era pequeno
lá no sertão
o que queria
de verdade
era só andar na caatinga
e nadar na vereda
e jogar bola
e era só
E as vidas daqueles meninos parecia nada faltar.

Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tigela no máximo.

PEQUENA TROVA

viver

E no viver,
que importa?
que é realmente fundamental
o que não pode faltar
sob risco de não existência
Eu não sei...mas arrisco
é vontade de viver.

Cristiano Dourado, 24 é poeta de meia tigela, meia não, um quarto de tigela no máximo.