Friday, January 05, 2007

Poema da noite

Ditoso seja aquele que somente



Luiz Vás de Camões




Ditoso seja aquele que somente



se queixa de amorosas esquivanças;



pois por elas não perde as esperanças



de poder n'algum tempo ser contente.



Ditoso seja quem, estando ausente,



não sente mais que a pena das lembranças;



porqu', inda que se tema de mudanças,



menos se teme a dor quando se sente.



Ditoso seja, enfim, qualquer estado



onde enganos, desprezos e isenção



trazem o coração atormentado.



Mas triste quem se sente magoado



d'erros em que não pode haver perdão,



sem ficar n'alma a mágoa do pecado.



Poeta épico, satírico, bucólico e comediógrafo português. Nasceu a 4 de fevereiro de 1524, presumivelmente em Lisboa, e faleceu a 10 de junho de 1580, na mesma cidade. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, descendia por varonia do poeta galego Vasco Oures de Camões. Até os 18 anos presume-se que haja estudado em Coimbra

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