Saturday, November 04, 2006

Cruz e sousa

Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.
Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, lágrima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.
Ó Silêncios! ó cândidos desmaios,
Vácuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais límpido cortejo...
Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inefáveis
O glorioso esplendor de um grande beijo!



Texto de Tasso da Silva
João da Cruz e Souza nasceu a 24 de Novembro de 1862, na cidade de Destêrro, atual Florianópolis, capital da então Província de Santa Catarina. Filho de dois negros escravos, trazia nas artérias sangue sem mescla da África , e no profundo psiquismomilenárias forças adormecidas de angústia e sonho. Tiro a esta referência todo acento literário, pois que de fato significa um puro dado positivo, indispensável à compreensão do destino e do canto do Poeta Negro. Morreu a 19 de Março de 1898, na cidade de Sítio, Minas, para onde fôra transportado às pressas vencido pela tuberculose. Nos seus trinta e seis anos de existência terrena, percorreu todo um ciclo de experiências tremendas de sofrimento.